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Guia prático para a saúde mental duma criança
10/10/2024
Se uma criança tão depressa é doce e doce como, de vez em quando, lhe passa uma coisinha má pela cabeça e parece ser tomada pelo mau génio.
Se tem dias em que adora a escola e parece apaixonada pelos amigos e por quem lhe dá as aulas, como há alturas em que engonha, tudo lhe custa e, quando dá por ela, se distrai até com uma mosca.
Se tão depressa corre e se suja como, a seguir, parece só ver videojogos.
Se tão depressa é um anjo, quando dorme, como fala até pelos cotovelos e tem pilhas que nunca mais acabam.
Se se escangalha a rir como tão depressa fica dramática e capaz de ir até às lágrimas.
Se ora parece medricas como, depois, se toma de arrufos e dá ares de quem enfrenta um desafio como quem o trata por tu.
Então, temos uma criança, muito provavelmente, cheia de saúde mental.
As crianças saudáveis são assim: um bocadinho uma coisa e – de vez em quando, se for preciso – o seu contrário.
São senhoras do seu nariz e encolhem-se todas, mal se sentem inseguras.
São espertalhonas e cheias de garra como, a seguir, chegam, num instantinho, ao “não me apetece” ou ao “não sou capaz”.
Tão depressa tratam um brinquedo como se ele fosse uma parte do seu coração como, de repente, o quarto se torna um vendaval e a si lhe dá uma coisinha má só de o catrapiscar.
Ficam tristonhas ou desoladas, sempre que a vida lhes prega uma partida (mas vão ao céu, quando se entusiasmam!), como parecem um furacão quando ficam com os azeites.
Se uma criança for assim, estará no bom caminho.
As crianças saudáveis só não são sempre sossegadas. Sempre atiladas. Ou sempre certinhas.
Como não são sempre agitadas, sempre inconsoláveis ou sempre rabugentas.
O sempre é que as estraga um tudo-nada!
Claro que quando o seu nariz acende uma luzinha sobre aquilo que se passe com ela, não se esqueça que uma criança um bocadinho difícil tem sempre um adulto com alguma dificuldade ao pé de si. Mas, mal apanhe o jeito – vai ver! – tudo se resolve.
Por Eduardo Sá